O mundo lá fora

Por que as pessoas fazem as coisas? O que as motiva? Elas têm, de fato, ambições reais ou elas simplesmente se iludem com a ideia de querer algo?

Às vezes, na infância, quando eu pedia algo para meus pais eles sempre perguntavam "Para que você quer isso?". E por muitos anos eu expliquei todos os meus pontos e motivos para querer alguma coisa. Mas para quê? 
Às vezes quando temos um motivo que para nós é importante, para outros, pode ser supérfluo. Por exemplo: por que aquele cara matou todos os personagens secundários do filme? Só porquê um deles matou o seu cachorro? Creio que a maioria de vocês que vão ler esse texto acharão desnecessário. 
Isso se aplica a tudo? Quando saber se os seus motivos são realmente válidos? 
Afinal nós fazemos e deixamos de fazer coisas, por motivos iguais. Deixamos de sair de madrugada por correr o risco de ser assaltado, sequestrado ou até morto, mas por que não deixamos de fazer a mesma coisa de dia sabendo que os riscos são os mesmos? O que acontece em um horário, pode acontecer em todos.

Talvez se deixássemos de nos preocupar com os planos ou porquês, e agíssemos, só talvez, fossemos mais felizes. Afinal o mundo está lá fora, pronto a ser descoberto e aproveitado, e nós ainda estamos trancafiados em nossas pequenas e reclusas bolhas de motivações e planos esperando uma chance que o universo nos dê, vez ou outra, de sermos felizes.


Miguel, morador e estudante da região da Vila Missionária, Zona Sul de São paulo.



CHIRICO, Giorgio. La nostalgia dell'infinito, 1912-1913

Comentários

Postar um comentário